Como era MJ antes da morte 1

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Michael: você consegue se identificar com ele?

Em 1998, Michael Jackson tomou um empréstimo gigantesco de um banco americano – fala-se até em 200 milhões de dólares. A dinheirama era destinada a sanear as finanças do astro, conhecido por seu estilo de vida nababesco. Nem todos os detalhes da transação são conhecidos, mas sabe-se que ela precisa ser liquidada neste começo de década, numa tacada só. Como garantia, Jackson teria empenhado uma preciosidade: os direitos sobre algumas das principais canções dos Beatles, que são parte de seu patrimônio. Ele também convenceu sua gravadora, a Sony, a ser avalista do negócio. Tudo na crença de que sua carreira, que andava patinando, voltaria a deslanchar com o lançamento de um disco de músicas inéditas. Lá se foram três anos desde o empréstimo. E, na semana passada, o tal disco finalmente chegou às lojas. A julgar pelo impacto inicial de Invincible, o auto-intitulado Rei do Pop tem motivos para se preocupar com os credores. Musicalmente, o CD não é mais que razoável (veja crítica). Analistas de mercado acreditam que ele venderá 5 milhões de cópias no mundo. Isso está longe de ser o bastante. Sua produção e marketing ficaram em torno dos 30 milhões de dólares – o maior valor gasto na história da música.

Jackson vive em um universo em que nada é caro demais. Há dois anos, ele entrou numa joalheria em Los Angeles e se encantou com um relógio cravejado de brilhantes. Preço do mimo: 1,5 milhão de dólares, prontamente desembolsados. Recentemente, o cantor fez alguns shows no Leste Europeu. Sentindo-se solitário, resolveu chamar amigos para acompanhá-lo. Pagou passagens para todo mundo (na primeira classe) e ainda os hospedou nos melhores hotéis da Europa. A farra custou 1,7 milhão de dólares. Jackson ainda é dono do Neverland (“Terra do Nunca”, em inglês), uma mistura de rancho e jardim zoológico, localizado na Califórnia. A propriedade tem brinquedos de parque de diversões, além de elefantes e lhamas que vagam pelos seus gramados. Seu custo de manutenção é de 10 milhões de dólares por ano. E Michael nem mora lá. Vive numa mansão nos arredores de Paris.

Embora os advogados de Jackson costumem alardear que ele fatura 100 milhões de dólares por ano com direitos autorais, estima-se que esse número tenha caído pela metade atualmente. Há outros indícios dos apertos financeiros do astro. Tempos atrás, alguns funcionários do Neverland foram a público dizer que estavam com os salários atrasados havia meses. Até o show realizado por Jackson no Madison Square Garden de Nova York, em setembro passado, foi visto como estratégia para arrecadar dinheiro, embora seu motivo oficial fosse comemorar os trinta anos de carreira do cantor. O preço dos ingressos era astronômico, entre 900 e 2.500 dólares. Esse valor salgado irritou muita gente – inclusive um irmão de Jackson, Jermaine, que comentou o “absurdo” em público. A casa de espetáculos, é claro, não lotou. Segundo uma matéria devastadora da revista Entertainment Weekly sobre os bastidores do evento, quem teve dinheiro para comparecer demonstrou menos interesse pela música de Jackson do que curiosidade mórbida por suas esquisitices. E muitos saíram dizendo que não planejavam comprar o novo CD do astro.

Lançado no final de agosto, You Rock My World, primeiro single de Invincible, já sugeria um fiasco. A música não passou do décimo lugar nas paradas. Hoje, não está nem entre as cinqüenta canções mais tocadas nos Estados Unidos. Perde feio até para uma inaudível versão de Smooth Criminal, do próprio Jackson, pelo grupo de heavy metal Alien Ant Farm. O clipe de You Rock My World é uma catástrofe. O Rei do Pop faz pose de gângster cruel e másculo. Alguém aí acredita? Depois de chutar algumas cadeiras e dar aqueles gritinhos, Jackson encosta uma garota na parede e a chama de “pretty young thing”. Para os americanos, esse elogio é tão antigo como “broto legal”, gíria dos tempos da pré-jovem guarda. Vê-se que o cantor não é muito familiarizado com o assunto.

O principal problema de Jackson é exatamente esse: estar fora de sintonia – com o sexo oposto, com o próprio sexo, com sua etnia, com os jovens americanos, com o mundo. Vinte anos atrás, ele ditava moda. Os álbuns Off the Wall (1979) e Thriller (1982), até hoje seus principais momentos, popularizaram figurinos e passos de dança. Nem tudo saía da cabeça de Jackson: naquele tempo, ainda em contato com o mundo real, ele freqüentava discotecas, onde buscava inspiração. Hoje, pouco importa que tenha revolucionado a linguagem do videoclipe, ou aberto as portas da parada americana para uma nova geração de artistas negros. E de nada adianta o rapper Eminem ou a cantora Britney Spears confessarem-se influenciados por seus antigos hits. Adolescentes, os principais consumidores de música pop, costumam eleger seus ídolos não somente por causa das canções, mas por ver neles modelos de comportamento. É impossível fazer isso com Michael Jackson. Ele é tão surreal quanto o sotaque árabe do ator Stênio Garcia. Ninguém sabe mais qual o verdadeiro tom da sua pele. Seu rosto foi deformado por plásticas. O cantor usa fantasias absurdas para sair à rua – já se vestiu como uma afegã, com burca e tudo, para passear por Paris. Pior ainda, Jackson teve sua reputação manchada por acusações de pedofilia. Estima-se que tenha desembolsado até hoje 20 milhões de dólares em processos movidos pelas famílias das crianças que supostamente molestou. Diante disso tudo, recompor sua imagem – e sua carreira – parece missão impossível. “Invincible” quer dizer “invencível”. Soa como uma ironia.

Tédio invencível

Reza a lenda que as dezesseis músicas de Invincible são as melhores de um repertório de 100, composto por Michael Jackson desde 1995. Se isso é verdade, o cantor tem 84 canções muito ruins em sua gaveta neste momento. Pois as que foram parar no disco não são nada de mais. Quem ouviu o single You Rock My World e não gostou nem se deve dar ao trabalho de escutar o resto do álbum. Vai encontrar faixas muito longas, baladas em excesso e letras bobas. Michael bate em velhas teclas: a busca da mulher ideal (hmmm….), a necessidade de amparar as criancinhas do mundo (hmmmmmm…) e a invasão de privacidade. Esse último tema rende a chatíssima Privacy, em que ele presta homenagem à falecida princesa Diana. Se existem méritos no disco, eles são mais dos quatro produtores do que do próprio Jackson. Graças a eles, alguns efeitos de rap e ritmos de bateria dão um toque de contemporaneidade a Invincible. Quer um conselho? Gaste seu dinheiro com as versões remasterizadas dos clássicos Off the Wall e Thriller, que também chegam às lojas brasileiras nesta semana.

 


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  1. É VERDAD K O ASTRO MJ ESTA VIVO TEMOS PROVA PORQUE ELE FOI MUITO GINGANTE

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